RECOMEÇA



Quando os ventos de cada dia
Vierem te pedindo toda pressa
E te sentires cacos sem alegria
Junta os pedaços. E recomeça.
.
Quando as agruras lancinantes
Te fizerem um xadrez sem peça
Respira ao céu alguns instantes
Levanta os restos. E recomeça.
.
Sente as lágrimas que recolhes
Entre as estradas que escolhes
Onde teu eu dorme e não cessa...
.
Dás tempestades, mareiam sóis
Ares oceanos de dor na tua voz?
(Re)Constrói teu mar. Recomeça.”
 












Sempre Hora

A dor, se chega, não tem chão
E logo, apressada, vai embora
Em fio grande leque de emoção
Apenas ao viver é sempre hora.
.
O sorrir no solfejo da canção
É aqui, sem pressa, se demora
Sons dum dedilhar da sensação
Somente ao amar é sempre hora.

DOIS


"Tenho expressão de batata frita
E com uísque, à beira da praia
Nos meus olhos o pensamento fita
O que de infindo, não se esvaia.

.
Previsível que sou, dois tentos
Profundos, entre tangências vãs
Meu neurônio é dos mesmos ventos
Dourados lidos, de todas manhãs."

ENGRENAGENS

 
 
"Amar-te é como me despir dos meus sentidos
É recolher tatos, sons, cheiros, luzes e sabores
Amar-te é qual correr das buscas e seus gemidos...

Bloqueando-me o tudo à possibilidade das dores.
.
Mas a vida não me deixou espaço para as ilusões
Percebo o quão frágeis são as minhas maquiagens
E seguem totais o nascer e o jorrar das sensações
Sou emoção pulsante (re)construindo engrenagens."

ÍMPARES



"Quando tive, do sonho, consciência
Sonhei estar livre das tempestades
Quão ímpares a vida e a excelência
E tão distantes ilusões e verdades.
.
Voltei, para o mar, outras retinas
À procura de me ouvir qual criança
Mira das vozes em sensações primas
Escorrem águas, navega a esperança."

VAGAS

 
"À risca quisestes a sensação arisca
 Mas, frágil, não soubestes arriscar
 O sal do céu no seu débil sol pisca
 Coragem de ser à plenitude de amar.

.
 Vais ou vens aos ventos tempestades
 Amores não transitam às quadraturas
 E teus vãos maquilam possibilidades
 História sem geografia que procuras."

EXÓTICO

 
"És a paz que jamais pude ter
 Régua de medida sem segredos
 Dez ancas que decantam dedos
 Nada é tudo que padece o ser.

.
 Dá vida rojam jatos de tinta
 Sem tréguas vadios português
 Vazios que preencha ou sinta
 Na língua no corpo outra vez."

Verde Vontade Verde

"Tenho vontade de correr e correr
E parar antes do muro ou depois.
Tão este lugar (in)seguro...
Sem quaisquer nós dois... Nós duas.
.
Tão fechadas parecem as portas
E sinto fome, tanta fartura
E sinto sede à frente do Oceano.
.
Há silêncio na noite
Há silêncio no dia...
.
- Vês meus olhos de saudades,
Minha convergência de vontades?
Coração tão verde e forte
Eu, tão eu, tua prometida
A tão somente uma única morte."

Aiação


"Teremos, um dia, outros "sentidos"
Que cantem, novos sulcos, ao mais
Ficarão apêndices olhos e ouvidos
Desnecessidade de volver um trás."

O Tudo e o Nada

"O tudo e o nada estão por um fio
Por um rio
Estranho e entranho desafio.
.
O nada e o tudo esmaecem
E, no andar das ondas
No navegar de terra
E revolver de era infirme
(N)Um outro tudo, fortalecem...
.
Incessantes ares do(s) que existe(m)
Entre pensos que nem sempre insistem
Vielas que não foram pedidas
Quiçá perdidas...
.
O nada e o tudo compram o bailar
Suspendem a música
Apuram sentidos
Ao longo da régua que mede.
.
Embrulho entre quase entulho
Aroma de presente de ausente
Que vai seguindo ao nunca nada
Que tudo, ao imberbe, pede."

Caminhada


"Rachados às pedras, doem meus pés
Conclamando-me aos nadas cedentes
Supoem-lhos, alhures, aqui o viés
Tempo de estrada às curvas poentes.
.
Tivessem olhos, meus pés chorariam
Fogo e sangue e lágrimas copiosas
Então aliviados, eles repousariam
Mesmos ares jardins; mesmas rosas.
.
Mas meus pés são toda fome e sede
De escalar muro, montanha e parede
Eles sabem: Nasceram para sangrar...
.
A dor é imensa; não há sofrimento
Entrança vida e lida, oceano e vento
Em terra firme, o amanhã é navegar."

Fiúza

"Carrego o valor de tudo quanto ousei
Sem qualquer desconto do nada que retraí
Ao nascer, morreu-me tudo que não Lei
Ao morrer, beijar-me-á a fiúza que vivi.
.
Há perfume... Este perfume que me envolta
Somatização de vértebras (im)perceptíveis
Eu, um ser a varrer-se dum pulsar à escolta
Eu, um estar a la(n)çar-se vôos (im)possíveis."

EU

"Tenho um olhar de quem treme
De quem sangra, pulsa e geme
Mas que pouco sentiu o temer...
Há barco que me espera vento
Enquanto acelero outro tento:
Lúcido Oceano em louco viver."

10905

"Viceja o tempo que se nutre às missões
Escritas neste meu "plural", tão singular
O vento roda os ponteiros e há sermões
À lucidez (Ou loucura) deste am
ar."
.

"Os meus gostos são simples: prefiro o melhor de tudo." (Oscar Wilde)

Axis

"Há datas que se afastam do que se aproxima
Enquanto tateio o perfume das luzes que não escutei
Para que lógicas estritas, restritas, adstritas?
Não sei.
.
Quais me entendem as réguas que não se estendem
Se as dores são ínfimas ante o ser aqui e agoras?
Por céus! Sais obrigam o tudo ao nada deste vento
Intento
Ao humano, de rasgo, cabe-se-nos a métrica das horas...
.
O preço, é o preço. O preço de se saber à vida
É tentar saber da morte.
Balança que cansa sem cansar
Esperança que se nutre antes do inevitável
Que, ao inevitável, contradiz.
.
Quentes sopros ardentes
Cada vez mais me bafejam
Estranhos caminhos céus e terras
Que entre Oceanos maiores entre mares menores
Marejam
Conglomerado ínsito, lúcido...
Feliz. "

Minha Amada Teresina

"Sinto que me soltas, enquanto me beijas
Eu, que tanto aprendi no calor dos teus braços
E, mesmo que não entendas ou jamais vejas
Ardentes e meigos e infinitos nos são os laços.
.
Teu sol de céu de sal de azul é verde demais
Minhas malas se arrumam e selecionam telegramas
Sou um misto de alegria, desejo, firmeza, paz
É a estrada que se volve aos andares das camas.
.
Carícias rasgantes, incandescentes... Preparada
Estou.
.
Vês que caminho(s)
Vês compridas promessas
Vês promessas cumpridas...
.
Inteira e firme, portas das frentes
Minhas fomes, sedes minhas, imanentes
Numa única, a potência de muitas vidas."

Chamas Oceano


"Sou qual um vulcão sempre em chamas
Fome e sede (ir)racionais sem amenidades
Não há algodões e são ácidas as camas
Caminho sem meios às pusilaminidades"

Oceano em Chamas

"Dizem que o tempo, ao humano, freia
Contudo, ele casa vez mais me atiça
Intensa chama vida que cá enfeitiça
Esfaimada sedenta sem chão de areia...
.
Amo a vida, sempre mais mais e mais
Perfume singular em línea instantes
Há um tudo em nada igual ao de antes
Na instabilidade das ondas sinto paz.
.
Vejo e percebo e me carrego sem pesos
Aos eixos de navegares nunca retesos
Pulso, entre dores e prazeres, à história
Minha história...
.
É sempre hora de ir e ir em... Até o fim
E, se puirão, fá-lo-ão melhor sem mim
Eu, entranho ser ardente à outra glória."

Tempestade Sem Medo

"As águas do tempo sempre carregam
O que não é verdadeiramente forte
Ou (sub)emergem vis máscarás vãs
Entre as eletivas visões da morte
A cada passar ou pesar das manhãs.
.
A decisão é minha e tão e só minha
Nesta hora de única intensa verdade
Um calafrio me percorre e vai embora
O medo tem um extremo receio de mim.
.
Altas ondas à ferocíssima tempestade
Quero ficar nervosa, preciso de freios
Em proteção às guerras e aos receios
Mas sigo imersa numa calma enervante.
.
Nasce o dia e vem a noite, nada temo
Enquanto o Oceano se atiça e revolta
Meu Eu à inabalável força se escolta
A opção nasceu tomada; nada ameno."

Em Prosa e Verso

"Nenhum dia me perfuma igual ao outro
Minhas vontades correm firmes e soltas
Sinto-me plena de alegria, firmeza e paz
Neste Oceano de águas muitas revoltas.
.
Cada segundo, minuto, hora, dia, semana
Vai formatando uma entranha dança de anos
Visto-me com um sorriso inato e permanente
Expiro enquanto inspiro planos não planos.
.
Não sei se meu caminho é o mais perfeito
Contudo é o meu caminho, meu mais perfeito...
.
Novo outro dia radiante, faça sol ou chuva
Arde vida cujas chamas tempo faz mais fortes
Nasci e, consciente, transito-me no Universo...
.
À frente, buscas lutas abismos alegrias mortes
Bom dia! Boa tarde! Boa noite!
Nesta estrada entrada em prosa e verso."

Estar Dos Véus

"Há dados lançados às escondidas
O Oceano se protege das marés dos mares
As ondas, (in)conscientes que (in)findas
Aos tremores das mortes ou vidas
Navegam, enquanto constroem altares.
.
Invisibilidade não é inexistência
E os cânticos das luzes exalam céus
No tempo destes que (se) domam...
Abrasos dormentes, alhures excelência
Em fomes e sedes ao Estar dos véus."

Transcendência

"O amor é lucidez, é convite
Nunca é insensatez ou coação.
O amor é persistência, é elogio
Jamais insistência, humilhação.
.
O amor é realidade da escolha

Nunca é ilusão e sua encolha
Pensamentos fortes noutro ser...
São as palavras que acariciam
Mesmo distantes de quem se ama.
.
O amor é qual um beijo absorto
À travessia.
Dos mares, ele é porto
Em luz sem fim, de tanta chama."

Delta Menor Que Zero

"Estendo-me mãos que não recolho
Há variantes em tantos nãos
O mundo sempre cego mudo
Também sigo; mas não me encolho.
.
Dores, há tantas dores na história
História, há tontas histórias na dor
Sinto as marés que correm Universos
Trançados de vida que puxam à frente
Premente memória
Entranho saber estranho esplendor.
.
Não há tempo às lágrimas salgadas
Pelos passos laços braços lassos
Dos caminhos...
.
Pulsam as mãos sempre estendidas
E tão minhas quase nunca entendidas
Raros sentidos expressos sozinhos."

Luz do Fogo

"Sou tudo aquilo que eu acredito
Creio no que digo, faço e penso
Apenas a plenitude é ao Infinito
Trilha ao vibrar em firme senso.
.
Ser estar ebulição às raras cores
Nas entranhas águas deste viver
Sou pétala ao aprendizado flores
Tão doce luz, meu amor aquecer."

Nós

"Entranho mundos, quiçá estranhos
Aos de patranhescas emoções...
E olho o transparente do tempo
Às verdes tempestades do vento:
Há métricas além das pulsações.
.
Mãos ou lembranças dadas; sigo
Há um algo e um alguém; uma voz...
Nunca fraquejo.
Entrego-me às lenhas do meu Ser:
Acaricio-lhe a foto, abraço livros
Infinitas forças pulsam meus nós.
.
Inexistem vadios vácuos e vazios
Têmperas, ao necessário, de normas
Em fomes e sedes quais as minhas...
.
Fluido o entender e lúcido o vivenciar:
Há coisas e pessoas maiores que o mar
Inviáveis às sensações comezinhas."

Tempestade, De Mais.

"Estou, às tempestades, solta e largada
Altas ondas assustam os comuns mortais
Eu não tenho, do meu antes, quase nada
Avanço perplexa; o medo é tarde demais.
.
O amanhã me respira uma única certeza:
Ainda que o mundo acabe, firme estarei.
A minha alegria infinda é toda em leveza
E, viva ou morta, caminho sensível; é Lei."

Lance

"Algumas pessoas desejaram permanecer plenas
Mas, pelos ventos e tempo, foram impedidas.
Entre realidades eufemísticas e ilusões não amenas
Muitas submissões mascaradas em eufemismos
Inumeráveis mortes em não várias vidas.
.
Fronte à frente com os porquês e suas formas
Entranho ou não estranho liame do (não) acertar
Cruas exceções maiores que a regra geral das normas
Alguns quiseram seguir totais; e não puderam continuar.
.
Gradações febris ao Estar
Avassaladoras
Direções sutis ao Ser
São palácios de cristal destruídos...
.
Cada átomo e molécula, todas as paredes
Alguém pincela o tom de sorrisos ou gemidos
Uns existem para driblarem ou cairem espinhos
Outros, raríssimos, apenas fazem seus ninhos
Aos puros algodões trançados em redes."

Moto Contínuo

"Muitos dias, meses e anos já passam
Mas não me levam os sonhos infantis
Os tempos e ventos nunca amordaçam
As doces pulsações do meu coração feliz.
.
Sou estranha vida que sorri faceira
E estou entranha viva que raciocina
Lhaneza imersa à outra mor maneira
Que nunca descarrega; sempre anima."

Plenitude ou Planitude

"Tênue alínea separa a sorte da morte
O poder frágil do querer forte
O medo e a covardia, da coragem.
Sutil linha a da firme verdade
E seus sustentáculos e desafios
Para o além de toda miragem.
.
Ver ou não ver o ver da plenitude
Não houve, há ou haverá meios
Às quedas que emergem às perdições da pureza...
E os céus de nuvens em flocos de algodão doce
Do Ser, em vácuos, passará ao se fosse
Eufemístico de quem se perdeu sensibilidade e firmeza.
.
Tão rara, a completa volta
Quase nunca é o retornar
Já caiu à planitude, mas tão vã se fez a queda
Àquele que aos abismos do pleno não pode sequer olhar..."

Muito Mais

"No que escrevo me tangenciarão
Muitíssimo mais é o que guardei
Navego um silêncio à expressão
Uma expressão ao silêncio, eu sei.
.
Tenho melhor, que maior consigo
Procuro praias ao meu todo grito
Um caminho sem qualquer abrigo
Além da vastidão deste Infinito."

Centelha

"A vida é uma estranha centelha
Estrada onde é forçoso entender
Coluna vertebral que se espelha
Às (in)diretas douto primevo ser."

Olhar na Direção Certa

"Eu tenho pouca coisa a dizer
E uma infinidade a silenciar
As pérolas são bem guardadas
Pouquíssimos as podem cuidar.
.
Não há mistérios ou segredos
Basta olhar na direção certa
Que vão embora todos os véus.
Meu Ser custou-me muito caro
É bem valioso o de mais raro
Eu não mudaria meu passado...
.
Não sei se alguém me seguirá
Tão entranha curva travessia
Apenas eu quebro as represas
E sigo sem abrigo ou castigo.
.
Sou alguém que optou entender
Que lutou por não sair sem ver
Eu quis e sei. Não me arrependo...
.
As rugas nascem noutras almas
Em mim nascem às faces calmas
É a certeza me rejuvenescendo."

Alguns Diamantes

"Vias comuns me fariam alguns diamantes
Mas o tempo, inevitavelmente, os tocaria
Maculando a totalidade do brilho de antes
Dando-me sorrisos partidos em nostalgias.
.
Senti não arrependimento, escolhas duras
Em verdadeiras amputações ao que desejei
Horizontes se remodelaram novas procuras
Ausências maiores que presenças; bem sei.
.
Nada me foi fácil ou grácil; apenas a nudez
De quem caminha célere sem qualquer chão
Nas minhas costas todo um sumo de lucidez
Vertebrada em toda certeza de cada opção."

Inato Norte

"Formato-me emoções sem sofrimentos
São as expressões da minha estranheza
Percebo derredores em imensas quedas
Sutis frustrações ou arrependimentos
Enquanto continuo imersa rara firmeza.
.
Compreendo, ainda que nunca entendida
Escutando confissões, sem me confessar.
.
Quero ter medo, porém eu nunca consigo
Desejo me acovardar, para saber como é
Mas sigo...
Sempre forte, sempre vida, sempre morte
Qual pulsação adstrita a um inato norte
Entranha caída e dolorida, tomada em pé.
.
Minhas mãos escorrem palavras não vazias
Que pouquíssimos haverão de compreender
Escrevo tanto quanto guardo a minha voz...
.
Tão sempre cedo e tão sempre tarde
Aqueço-me incessante fogo que arde
Opções certas do Eu a todos os nós."

Âmago

"Dormem em paz, meus cômdos sonhos de outrora
Enquanto meu âmago se lança estranhos passos
O presente encontra um passado bem resolvido
Um presente embala o futuro de outros espaços.
.
O que estive um dia, cede lugar ao que eu sou
Saída de longa transição, a emoção descoberta
É todo um viver sem eufemismo
Sensações no limite do abismo
Novéis trilhos à busca experta."