PROCESSO
O ser humano se buscaEntão ama, estende-se, chama.
E, enquanto ama, vai aprendendo a chamar
E, enquanto chama, vai tentando se entender.
.
O ser humano cresce e, neste crescer
Acende mais luz e nesta, mais chama.
Amar é estonteante e amedrontador
Mas o ser humano caminha; e ama.
Sabor Sem Retorno (I)
Sem as ilusões tangentes ao estar-ser…
Embalde, pois o soma a te percorrer
Mergulharia às raias de tua estrutura.
.
Saberás à sinonímia da loucura
Do suor que se volatiza ao calor,
Entenderás os ditames de um amor
Que não se pui ao silêncio da procura?
.
O hodierno alvedrio aportou tarde
A culpa tangencia o pulsar que arde
Em não reais comunicações internas.
.
Imerge nos parcos de minha lucidez
Que a lembrança tentará a fluidez
Do entreter das nossas ardentes pernas.
Sabor Sem Retorno (II)
Já que nunca mais me podes dar teu corpo
Ficar com os olhos no teu ser absorto
Proibido sonho de sonho em nenúfar.
.
Ansiava-me tuas papilas gustativas
Ansiava-me tuas papilas gustativas
Salgado, doce, amargo ou azedo
Por que pensar em horas se é tão cedo
Falas silentes das completudes vivas?
.
É delicado o borne das escolhas
É delicado o borne das escolhas
Atenção para pedras e também folhas
Nossos caminhos sem visível contorno.
.
Não apenas as marés respondem à lua
Não apenas as marés respondem à lua
Já não mais procuro teu rosto pela rua
Inconteste: teu sabor não tem retorno.
Pernambuco [N° 2028] - Outras Réguas
O andar do espaço cobrou um medirDeste modo, a linha do tempo nasceu
Mas esta serve a um lado do contar
Sendo inócua ao que lhe antecedeu.
.
Caminharás nas largas trilhas sem rimas
Cantem novéis ondas às velhas retinas
Onde encéfalos no passo inverso
Não aceitam só dois lógicos valores
As luzes do passado são só favores
Às verdadeiras réguas do Universo.
Pernambuco [N° 2024] – Doce Tela Crua
Seria a esperança um tempo ou lugar?Se refletir é sinônimo de agradecer
Agradeça-se o tudo ou mesmo o nada
O que importa é a trilha da estrada
Na singularidade fantástica do viver.
.
Andar no calçadão da amada Boa Viagem
Pode haver mais Filosofia que no mar?
Imagens no granulado plano de areia
Intrincadíssima sutil vida-morte em teia
Tanto muito ser no Universo a navegar.
.
Há dor? Que não se abrace o sofrimento.
Cada vivente é um sentir no teatro da alma
A plenitude do ser corrói as escravidões
E o coração pacífico entre as pulsações
É utopia da linearidade da efígie calma.
Atrito De Sonhos
O tempo flui nas costas ensolaradasNavegadas sob a bússola da deriva
Tudo é tão silencio no amor que fala
Nome que a quente derme entala
Na memória de uma pele tão viva.
.
Suave, meigo, terno, afetuoso...
.
O espaço cede aos desejos vãos
Tocados sob a égide da loucura
Tudo é tão silêncio no amor que cala
Sabor ardente na língua indomada
Atrito de sonhos em tessitura.
Pernambuco [N° 2023] - Desvairamento
Suaves mãos que longe rasgasAbrupta pele sons não nesgas
Tuas lógicas imberbes formais
Em vãs tergiversações mentais
Fome e sede caladas vesgas.
.
Há rimas sem palavras tantas
Que contas as cantas ao léu
Há lua em reais viver delírios
Sol em improfícuos martírios
Um tíbio sulcar no vasto céu.
.
Há tontas palavras sem rima
Correr fés de pés em desafio
Mil cento e trinta quilômetros
Abrasam cá os termômetros
A sentir aquele palpitar frio.
Pernambuco [N° 2022] - Dicotomia
O medo nunca a toca ou abraçaEle navega preso a imenso pavor
Ela é romance, poesia e amor
Ele é sol a se expungir de graça.
.
Fazer-se compreensível leitura
Ele não mais tem a posse do entender
Presenteou-a com asas e sem saber
Fincou-se ao acre chão sem estrutura.
.
Os ventos avivam outras imanências
Intransponíveis são as dissidências
É tempo de escrever estranho calar.
.
Dançam livres as alforriadas folhas
Singulares formas de graves escolhas
Ele finge esquecer; ela ... Não pensar.
Pernambuco [N° 2021] - Canto De Doce De Areia
O canal Derby-Tacaruna a alma ladeiaA alma ladeia o canal Derby-Tacaruna
Suave lembrança de mãos não bruma
Beijadas nas costas de doce de areia.
.
(Bípede) homem de alma hoje zipada
Zipada alma de hoje (Bípede) homem
Retumbantes lágrimas que consomem
Paradoxal abandono da água arada.
.
Que morra saudade na séjana do abate
O adeus possui as rimas do Universo
Amantes tíbios ardidos sem (re)verso
Mais que jogo de palavras em amassos
Palatos de sal de sol em fita indolência
A distância não ilide a absoluta ciência
Das fúcsias manentes em tons crassos.
Pernambuco [N° 2020] - Os Sons Que O Silêncio Carrega
Se nada podes ouvir, silencia e escutaTodos os sons que o silêncio carrega
Se nada podes sentir, escuta e silencia
As luzes que teu pulsar angústia nega.
.
Não lacrimejes as mãos afastadas
A distância não dormirá em linhas
Mas as linhas podem saber lençóis.
Se nadas podes dizer, eis tua labuta
Víveres sem pensar? Estranha luta.
A liberdade não consentiu nós.
.
Atravessa a Agamenon Magalhães
Na altura do tempo da restauração
E, de lembrança, toma luzes e tateia
O silêncio carrega incontáveis sons
Letras e cores, fases das faces em tons
Do teu nome esvaecido na areia.
Pernambuco [N° 2019] - Reflexos Do Teu Espelho
Brinca no espelho do teu reflexoTua imagem completa e aguerrida
Luzes da figura olhada da tua vida
Dos singulares-plurais sem nexo.
.
Ouve o tato a te cantar matizes
Distantes os sons dos dissabores
Se bem amares (Há?), teus amores
Não grandes trilharão deslizes.
.
Mas quem amará por medidas
Se réguas se opõem à liberdade?
Talvez alvedrio da paixão feroz...
Dir-te-ia o espelho: tempo atroz
Dirá o reflexo: outra verdade.
Realidade
Eu seiTu sabes
Eu sei que tu sabes
Tu sabes que eu sei
Eu sei que tu sabes que eu sei
Tu sabes que eu sei que tu sabes
Eu sei que tu sabes que eu sei que tu sabes
Tu sabes que eu sei que tu sabes que eu sei.
.
Mas a vida e o silêncio conveniente imperam
Sorrisos vãos da pergunta sequer pensada.
O tempo não perdoa, não pede, muito diz
No aparente silêncio de quem ouve nada.
.
Eu... Sabes? Tu? Sei...
As mãos de espanto ex-acalanto
Do tempo de outra reserva de lei.
Pernambuco [N° 2018] – Nimilétrica
Se o mover pende rapidez de observadorSe não já basta toda parca lógica formal
Troca o espaço que se te, lhe constrói mal
Há o absoluto na relatividade do amor?
.
A rede pulsa pernambucana, eis tão delícia...
Ahhh... Como é lindo o vasto céu estrelado
Informações nas andantes luzes do passado
Viver sabe à absoluta-veloz-singular carícia.
.
Ama, ama, ama, corre, corre, corre
O tempo dimana no espaço que escorre
Não tome vida como um volátil imbróglio
Do relógio das horas do caminhar-existir...
Promessa feita, bem sendo comprida
As respostas às perguntas da vida
Eclipsam as dimensões sim-não polir.
Outro Mais
Inevitável é sentir uma dorMas não o viver sofrimento
A si espraia-se correr amor
O espaço constrói momento.
.
O dúbio relógio é presente
Dá luz enquanto oblitera voz
Na busca dos embriões nós
A lógica tomada é cadente.
.
Revisa lento o livro a alma
Turbulência ínsita à calma
O alfabeto não é escondido.
O céu trilha suco e biscoitos
Na curva dos olhares afoitos
Voa achado ser não perdido.
Cheiro De Mar Aberto
Sem água e alimento atravesso o desertoMas se a vida me deseja num duro regime
Este me soa imberbe e não me oprime
Pois meu último neurônio voa no verso.
.
Vejo as utopias se fazendo via presente
Meu neurônio ama a trilha da realidade
Do chão não passarei na queda, é verdade
E lúcida sentirei a dor e paz presente.
.
A areia é muito quente, escaldante...
O sol corusca impiedoso e inclemente
E nunca há quaisquer oásis por perto.
Meu dedo não tem gosto de peixe frito
O caminho da seca e fome não é infinito
Adoro calor... E cheiro de mar aberto.
BR 232
Estrada humana qualquer cantoSupunha-se sorriso ou pranto
Grande engano, pois não é assim.
Pensamentos na BR 232
O básico do feijão com arroz
Não sustenta os sem medo do fim.
.
Ondas planas, passa o avião
Mas a turbulência está no chão
Rodas trilham a BR 232.
Mãos buscavam olhos de escrever
E a força do amor de viver
Sempre é e emerge. Não mais depois.
Pernambuco [N° 2017] - Singulares
Não comprarás o tempo nem a melhor companhiaDelicadas células que não se reproduzem jamais
Na instabilidade volátil do ser emergirá tua paz
Caminhos de passos com medo, sem covardia.
.
Ou, ou, ou... Há tantos ous em fio pendentes
Nas vastas estradas das ilusões em cacofonia
Onde o respeito a si e outrem não fizer moradia
Brotarão tantas prisões... (in)visíveis correntes.
.
Ser humano, ser humano, ser humano... Acorda!!!
Estar em paz não é o mesmo que ser passivo
Não comprarás o vento, deixa-te correr lasso
Frouxo, apertado, no singular sentido abraço
Do tão valiosíssimo da alegria de se estar vivo.
Pernambuco [N° 2016] – Toque De Ondas
No dulcíssimo som do cheiro das retinasNa praia célere andam vontades meninas
Laços e abraços de amassos em tons lassos
Boa viagem tem o cheiro do mar de areia.
Cria do tempo do espaço das tempestades
Bordados de delicados fios de maturidade
Enquanto a vida se tece sensível e incendeia.
.
Na lambida dos beijos dados às escondidas
Mãos achadas, dormentes, contentes, perdidas
Testemunhos dos coqueiros bem ensolarados
Boa Viagem tem o cheiro de atemporais lençóis.
Terra de chãos crus de almas que se aquecem
Raios de lua no mar das águas que adormecem
Quaisquer horas no mergulho das ondas de sóis.
Pernambuco [N° 2015] - Sons De Julho De 2008
Deixa a poesia falar tuas praiasEnquanto a saudade trilha a viagem
Amores e corpos bem mais que miragem
Da sede e fome em que te espraias.
.
Deixa a face do teu ser entrar retinas
Na teia magnânima do prazer de sentir
Maré alta, maré baixa, ondas a fluir
Letras gritantes das vontades intestinas.
.
As letras acordam tão suave mergulho
Enquanto vastas ondas não pele abraçam
Os dias, à cata de 2009, passam
Ouça o som dos ventos do tempo de julho.
Sonho de Céu de Sal
Sonho de céu de salDos amores bem cuidados
Sal de sonho de céu
Com abraços apertados.
.
Tempo de sal do sol
Das retinas que aquecem
Do sol de sal em tempo
Nos amores que florescem.
.
Vida de busca sem fim
Novo dia, outro navegar
Sou o sal do sol de mim
Estrada curva do andar.
De Jaboatão Dos Guararapes - PE
De Jaboatão dos Guararapes aprendi:Sou toda, totalmente pernambucana
Na estrada ladeada de plantação de cana
Meu olhar transverso, de verso, construí.
.
Cada cheiro, cada curva daquele chão
Penetrou-me às células do corpo da alma
Sou toda fome e sede, paz sem calma
Limite lúcido do transpor da razão.
.
Tirei-me sapatos e fui à praia de Piedade
Sou pacata sem qualquer passividade
Viver tem as ondas da imensidão.
.
Larga estrada de vento de areia
Cheiro de tecido vivo de cor de teia
Pernambucana toda, de Jaboatão.
Larga estrada de vento de areia
Cheiro de tecido vivo de cor de teia
Pernambucana toda, de Jaboatão.
Assinar:
Postagens (Atom)






