Ιατρική

As águas imóveis muito apodrecem
Porém, às vezes, difícil não se parar
Forças que, em frágeis, adormecem
Das vidas tecendo seivas recomeçar.
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O sol continua iluminando esta vida
Águas já revoltas mais se aquecem
E, enquanto energizam mesma lida
Os humanos partidos se fortalecem.
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Escuta que ela sempre vem e chama
Ela... Tão maior que qualquer morte
A só bússola fincada neste caminho.
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Oceanos mores do tudo que se ama
O tecido direcionado ao rumo norte
Ser que, por e nela, nunca é sozinho.

Aves De Ébano

As aves de ébano transitam no céu claro
Onde suaves nuvens iludem em carícias que,
Quase sempre, se abrem em largos sorrisos
Além das profundas águas do Parnaíba.
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O relógio das aves converge à percuciência
A água molha um alhures quase incógnito
E o ar desafia os termômetros imberbes
Onde o chão próximo não tem folhas
Que se vertam aos lados; não há vento.
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As aves de ébano pontuam o belo céu azul
Elas podem voar e não sabem disso.
O instinto as move e a falta de consciência
Afasta-as, além do sobreviver, do medo
Das grandes quedas e pulos sem retorno.
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Outrora, num dia que girava ao pino do sol,
Havia, numa calçada, uma delas, caída.
E, morta, era recolhida e tinha atenção
E ninguém mais podia ou queria salvá-la.
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Olhando-a de perto... Ela morreu sem sorrir
Posto que não conseguia compreender,
Que além dos riscos imensuráveis e súbitos,
Há toda uma magnitude no viver e voar.

Geneeskunde

Brancas negras rosas verdes flores
Delicadas mãos dadas à esperança
Têmpera em tempo à temperança
Vivos vivas sem súplica de amores.
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Loucas músicas de notas lambidas
Mergulhos amplos com traduções
Amante plena de muitos corações
Conforto ao couto de muitas vidas.
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Sem término é a saudade sem fim
Brancas negras rosas verdes flores
Se atavias e perfumas tantas cores

Que tua falta não trucide o jardim.

Parca Não Tão Porta

Há intensa circulação do estar sem ser
Nas paradoxais bases de ser sem estar
Os afins sempre querem unanimidade
Das rimas, idéias, gemidos do escrever.
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É o trânsito que só caminha na fluidez
Que não sabe usufruir o que não gosta
Angústias acerbas às perdidas apostas
Olhos que não ouvem diversa sensatez.
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Tem cheiro de sabonete, porto seguro
De sorrisos construídos longe do vento...
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Há banhos tomados nas brumas da luz
E corpos secados às luzes da escuridão...
Quem não intuiria tanto que se conduz
No suor milenar da estranha expressão?

Dimensão

Vou tentando o possível deste eufemizar
Do tudo que meu coração anseia e sente
Os dias seguem e é tão imberbe apanhar
Estou pavor que trafega chão inclemente.
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A dor é mecanismo de proteção e defesa
Esta alma é como célula sempre manada
Onde está o freio? O soma nunca é presa
Fome e sede é maior que estar alarmada.
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Tão imensa é toda a magnitude do existir
Inspirar, expirar. Simples viver que se quer...
Tudo é precedido de um contínuo insistir
Sou tão forte. Estou tão frágil. Sou mulher.

Catacreses

Sabemos nós que nós sabemos
Nós sabemos que sabemos nós
Medimos nas luzes que vemos
Vindas do trilho de outros sóis.
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Eu penso, tu pensas, ele pensa.
Ainda falta O fio desta meada?
Por que se subverte lá infensa
Cá métrica subjetiva tomada?
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Não se vá, à procura, imiscuir
Alterando a exatidão da medida
Não quer um tempo negativo?
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Esqueça o Universo se expandir...
“Aperto” sem “massa” contraída:
A “casa” do “outro” “ente” “vivo”.

Integral

Há coisa que nunca se me achegue fina
Posto me soar qual ranço e insensatez
Dessarte, o dificílimo não me desanima
Mas me alquebram migalha e tacanhez.
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Não sou melhor nem pior que ninguém
Igual a todos, eu também sou diferente.
Não me invade idéia do humano aquém
Pua-se o egoísmo no individual do ente.
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Não importa a música que terei de saber
As estradas que a vida me fará percorrer
Se, ao final, deparar quem queira sentir.
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Não às sensações tomadas subterfúgios
Existências sem vôo, em apenas refúgios...

Almejo todos que sabem valor do existir.

Ofegante

Setembro, num suave toque, a outubro abraçará
Sou toda além das palavras, pulso em convulsões
Taquicardia como se tivesse numerosos corações
Retinas da pele que meus lábios nariz não saberá.
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Ninguém nunca me percebe nervosa e fragilizada
Acham-me sempre apta e firme para o nada-tudo
É assim, desde que estou na vida, bebê tão miúdo
Logo cedo receosa da sensação vã e mal talhada.
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Uma semana caminhando na minha amada terra
Ares lá encetados, que só Pernambuco é devolver
A busca do âmago (Não quem.) das minhas veias.
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É a procura que ficou incompleta e não se encerra...
O amor de muitos e muitas, também do meu viver

Esperava-me só, por não permitir doações meias.

Tuas mãos...

Mãos que, firmes, me apertam as costas
Levando-me além do meu sempre mutismo
Salvando-me do mais inútil dos abismos:
Aquele que conclama e não dá respostas.
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Mãos onde eu me entrego sem nada pedir
E que despertam a fome e sede de mais
Pulsações transeuntes entre ânsia e paz
Num agradecimento à delícia de existir.
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Mãos que alcançam os meus pensamentos
E quebram silêncio de todos os momentos
Que transpõem a solidão dos meus passos...
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Deitas-me cores e sons que não tão vagos
Posto que eu sinto e somatizo teus afagos
Na inadjetivável imersão em teus braços.