DIRvana

Não há nirvanas tópicos ao ser
Ou que distem algo da lucidez
Ilusões são castelos em derreter
Tão só a realidade é chão e vez.
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Pernambuco é dias e o retorno
Encontra o ente muito diverso
O outrora grácil em contorno
É hoje fortíssimo inato imerso.
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Uma paz imensurável beija alma
Alegria consciente sorri calma
Não existe mais angústia ou dor.
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Pensar é agradecer o tudo à vida
E a saliva não linear da mordida
Cravou nos genes prazer e amor.

Enfim

Os eufemismos das guerras e múltiplas fomes
Cabem aos que não lhas vivenciaram de perto
Zumbidos sem sons em noites cruas e insones
Um arrastar-se em furacões de amplo deserto.
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Tornam-se supérfluos as mãos, as pernas e pés
O ser humano passa a perceber que é essência
E pouco importa além da completude do revés
Do caos que sopra dor em longa permanência.
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Nas guerras ou se morre ou se sai enfraquecido
Ou então se emerge extremamente mais forte
As novas realidades são trilha de um só sentido
Aos que não sucumbiram à fraqueza ou morte.

Ser Mãe

Ser mãe é multiplicar os próprios sentidos
Dar-se à natureza de acarinhar e proteger
Polir olhos, tato, cheiro, paladar e ouvidos
Na constante procura de buscar um prever.
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As mães afunilam a sensibilidade ao futuro
Elas nunca são só percepção de ser presente
Elas tateiam ao navegar num tempo escuro
Prevenindo perigos que ninguém mais sente.
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Assim são mães, sempre e sempre atentas
Com muitos sentires sobre os filhos amados
Num mar de intuição e sabedoria aguerridas.
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Os pisares maternos não têm faces poentas
E ser mãe é pluralizar todos melhores lados
Em si, ter o buscar-se plena em outras vidas.

Catacreses De Uma Solidão De Batom

Havia uma BOLINHA não redonda
Que para dentro tinha e vibrava
E que, em NOME da ESTABILIDADE
Expeliu a LACUNA que lhe sobrava.
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Note-se o ANTES do antes NOTÓRIO
Uma LONGA LINHA do fio da meada
O complexo CÁ do LÁ SÓ simplório
Impossibilidade concreta do nada.
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Os VESTÍGIOS podem ser apagados
Mas isso não expungirá o ocorrido
O infinito CÁ nunca é um LÁ infindo.
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As faixas transpõem muitos LADOS...
O cerne da RÉGUA MOR É 1 SENTIDO

Da SEMPRE coisa nenhuma inexistindo.

Através

Através do atrito os corpos freiam
E também entram em combustão
Entre as buscas que lhos medeiam
Trafegam muitos sins e um só não.
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Através da pele muita água vapora
Levando embora o excesso de calor
Para que os relógios em certa hora
Se tempo é cria do desejo de amor?
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E através dos caminhos do através
Os agregados se apetecem em pós
De entes imersos da cabeça aos pés
Nos mares do através de todos nós.

Visceral

Há lindas flores no alcance das luzes
No fim do arco-íris, um pote de ouro
Se puladas, todas em uma, as cruzes
Um meigo e infindo e verde tesouro.
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A decisão, desde sempre, já tomada
Faz o humano tremer nas estruturas
O cansaço não anteparou a escalada
Da convergência de muitas procuras.
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Coragem! Força! Vamos lá. Lá vamos...
Que vai doer somente um pouquinho
Adeus. Tanta coisa ao longo dos anos
E deleite ao faro do sempre caminho.

Genes De Água E Óleo

Faça todo o admissível e JAMAIS esqueça que
O máximo possível da água pode não servir
Em absolutamente nada para acrescer ao óleo...
Se o acre nasceu do amor inato é que, de algum modo,
Esperou-se um algo que não veio e dificilmente virá.
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O dia de hoje trouxe um sol imensamente radiante
O amanhã pode trazer nuvens e tempestades...
É a terceira lei de Newton que cobrará tudo
Da possibilidade de respostas e reações à vida
E às dores que, além de dilacerantes, são inusitadas.
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Erga o seu plausível e deixe, onde os neurônios
Podem, de há muito, não lhe entender um mínimo,
Palavras escritas para, TALVEZ, serem lidas depois.
Não admita que o desgosto lhe leve a sensibilidade
E não deixe que as lágrimas silenciosas lhe afoguem.
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O Sol e Netuno sempre pulsam afastados demais
E certas proximidades são, tão somente, imagens que,
Bidimensionais, não refletem outro eixo de vida.
Inspira, expira, respira e se reconstrói a cada instante...
Sem chão ainda é possível se cair olhando o céu.

Em Trânsito

Os clamores do Universo conhecido
Transitam nas múltiplas ondas viajantes...
A luz não precisa da matéria para brilhar
Porém o som, longe de onde vibre, nada diz.
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A travessia é um grito formatado sem voz
É uma luz agarrada ao passado
Calibre que emerge do tipo de dança
Da vibração dos núcleos pulsantes dos sóis.
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A quem falta um sentido, o mais comum
É que os outros se exacerbem.
A madrugada é uma pergunta sem resposta
Enquanto o olhar atravessa o que pode,
Na belíssima escuridão que avança...
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Ouça-se as vozes da música da poesia
Agarradas ao espaço que é medido pelo tempo
Incrível trânsito imerso num experimentar único

Presente dançante muito além da espera do sentir.

Combustível E Comburente

É setembro e o último neurônio se arrasta
Não há sombra, não há cansaço, não há medo...
O pavor surdo que ainda pavimenta o chão
Começa a ir embora e se desconstituir inteiro.
Nem o pânico suportou tamanha pressão.
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A dor, um mecanismo de proteção do corpo,
Não responde mais. A morte veio e se foi...
O nada é uma ilusão para que se possa abarcar,
Em termos, o inapreensível momentâneo do ser
E todos os relógios de areia estão quebrados.
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É muito alto, é muito alto, é muito alto... Inevitável.
É como a vida, definida por uns como o respirar
Por outros como a capacidade de mutação e evolução
Por outros, ainda, como a capacidade de movimento...
Dentro de um átomo há oscilação e, antes deste ser o que é,
Era partículas subatômicas... Métricas do só para agora!
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O viver sempre precisou de um tempo maior
Para se encaixar no intervalo de todas as mortes...
É setembro e a vida pulula em níveis que o humano
Muito e muito intui e quase nunca sabe de perto:
Há sons além e aquém da faixa do audível
E tantas luzes que as retinas humanas não captam.
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Mãos acéfalas tateiam o que não está somatizado
As decisões já foram tomadas e, pelo máximo de viver,
Alguns sempre se dão às emoções radicalíssimas.
É muito alto e a visão é belíssima... Oxigênio além da razão,
Glicose esfaimada à espera de se fazer alimento em ação...
Comburente e combustível da mesma vida humana.