Desejo Livre

Quero a delicadeza do sentir
O sentir da delicadeza
Pássaro livre que vôa
Mergulho na onda que ressoa
Toque imerso do existir.
.
Quero célere a estrada
E milimétricas as sensações
Mergulho no mar imenso
Vida de pulsar intenso
Coração descansa entre pulsações.
.
Quero buscas em desafio sem fim
Desafio em buscas do navegar
Viver, viver, viver... Manhãs
Dos meus respirares não vãs
Da alegria de ser em mim.

Pulsação

Corta tempo, tal qual mar em desvario
Do ser que o tempo corta
Água tangente de rio.
Voz que foge, mas não é fuga
Que transcende e que grita
Onde o som não pode ecoar.
Homem terra, terra homem
Tempo rio, mar tangente
Homem forte, ao alvedrio
Do viver que é busca
Da busca do buscar.
.
Do vasto tempo ardor frio.
Sou ser, ente, ente ser
Sou mar que vai ao rio
Que fome sente
Como Universo que homem
Possibilitou ao mar.
Sou Universo
Grita palavras e dor
Sou rio imerso, misturado ao mar
Rasgo de tempo
Tentando falar do breve pulsar
Vivendo, vegetando
Fome tangente, mar e rio
Ao alvedrio do Universo

Viver do amor desafio.

Precipício (5)

Para que o imberbe e tão mau outro sono,
O sonho de um meu qualquer fícto repouso?
Maresia de modorra de vãs mares sem ares
Mergulhos ilusórios de vôos sem pouso.
.
Haverá dúvida quanto à escolha do penhasco?
Maior que a queda é a deliciosa visão da altura...
Não há doces reais no sim do firme fiasco
Nem totais eufemismos na vida-fim sepultura.
.
Ver, pular, sentir... Mergulho de ser em si
Linda visão e válida queda, sem almas-brandura
Mergulhar plenamente, antes do forte arrasto
Fugir ao chamado da planificação do pasto
Consumir-se em si, foco da efetiva procura.